
Hamsters selvagens que vivem entre túmulos e áreas verdes do Cemitério Central de Viena, na Áustria, ganharam destaque após a divulgação de imagens que mostram a rotina desses animais em um ambiente urbano pouco habitual. Embora a cena possa parecer incomum, os roedores são nativos de diferentes regiões da Europa Central e Oriental.
O registro foi apresentado pelo canal Not a Biologist, no YouTube, em uma produção do cineasta especializado em vida selvagem Yaz Ellis. O vídeo acompanha os hamsters durante a procura por alimentos, a defesa de território e os confrontos entre indivíduos que ocupam os gramados do cemitério.
Os animais observados pertencem à espécie conhecida como hamster-europeu. Eles apresentam pelagem castanho-avermelhada, manchas brancas nas laterais e uma característica barriga preta. Apesar da aparência semelhante à de hamsters domésticos, possuem comportamento territorial e podem reagir de forma agressiva quando ameaçados.
A distribuição natural da espécie se estende do leste da França e da Bélgica até áreas da Ucrânia e da Rússia. Em algumas cidades europeias, parques, jardins e cemitérios passaram a funcionar como refúgios para populações que perderam espaço em ambientes rurais.
O Cemitério Central de Viena oferece condições favoráveis para esses animais, como áreas gramadas, vegetação, solo adequado para escavações e menor interferência de atividades agrícolas. Nesse ambiente, os hamsters constroem tocas, armazenam alimentos e disputam áreas consideradas importantes para sua sobrevivência.
Durante o entardecer, eles deixam seus abrigos subterrâneos para procurar comida. Assim como outros hamsters, utilizam bolsas localizadas nas bochechas para transportar grandes quantidades de alimento até as tocas.
A alimentação é composta principalmente por sementes, grãos e partes de plantas. Em áreas urbanas, entretanto, os animais podem adaptar a dieta aos recursos disponíveis. Há registros de hamsters que consomem cera de velas deixadas em cemitérios, possivelmente em busca da gordura presente no material.
Outra diferença em relação aos animais domésticos está no ciclo de vida. Os hamsters selvagens escavam sistemas subterrâneos e passam por períodos de hibernação durante o inverno. Para enfrentar os meses de frio, acumulam reservas de alimento e gordura corporal.
Apesar de encontrarem abrigo em alguns espaços urbanos, as populações da espécie estão em declínio. Entre as principais ameaças estão a expansão das cidades, a perda de habitat e as mudanças provocadas pela agricultura intensiva.
O uso de monoculturas em grandes extensões reduz a variedade de alimentos disponíveis e altera o ambiente necessário para a construção das tocas. A retirada rápida das plantações também pode deixar os animais sem abrigo e sem recursos antes do período de hibernação.
Diante da redução populacional, especialistas e instituições de conservação mantêm programas de reprodução em cativeiro e reintrodução na natureza. Iniciativas desse tipo são desenvolvidas em diferentes países europeus, incluindo a Ucrânia, com o objetivo de preservar a diversidade genética e recuperar populações locais.
A presença dos hamsters no cemitério de Viena mostra como determinadas áreas urbanas podem desempenhar um papel relevante na conservação da fauna. Ao oferecer vegetação, alimento e espaços pouco movimentados, esses locais acabam substituindo parcialmente habitats naturais que foram modificados ou destruídos.


