
O Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, recebe até este domingo, 21 de junho, a exposição “Joaquín Torres García – 150 anos”. A mostra tem entrada gratuita e reúne cerca de 500 itens, entre pinturas, esculturas, desenhos, documentos e objetos que ajudam a apresentar a trajetória do artista uruguaio e sua influência na produção artística da América Latina.
Entre as obras de maior destaque está “América Invertida”, de 1943, uma das criações mais conhecidas de Torres García. Na obra, o artista representa o continente sul-americano de cabeça para baixo, com o Sul no topo do mapa. A imagem tornou-se símbolo de uma proposta estética e intelectual que questiona a centralidade tradicional do Norte e propõe uma nova forma de olhar para a América Latina.
A ideia presente em “América Invertida” influenciou diferentes gerações de artistas, incluindo nomes como Hélio Oiticica e Cildo Meireles. A exposição também estabelece diálogos entre o pensamento de Torres García e a produção de artistas brasileiros de períodos distintos.
Outro núcleo da mostra apresenta os “juguetes”, brinquedos de madeira criados pela família Torres García na década de 1920. Produzidos manualmente, os brinquedos eram desmontáveis e permitiam diferentes combinações, aproximando arte, educação, geometria e experimentação visual.
A exposição também reúne manuscritos e cadernos do artista, conhecidos como “carnets”. Esses materiais trazem desenhos, anotações e reflexões sobre arte e sociedade. Neles, aparecem com frequência símbolos como sóis, peixes e figuras humanas, elementos que integram a linguagem visual desenvolvida por Torres García ao longo de sua carreira.
A mostra amplia o percurso ao aproximar a obra do uruguaio de produções brasileiras. O artista autodidata brasiliense Josafá Neves participa com a série “Diáspora”, dedicada à ancestralidade afro-brasileira e à memória de Solano Trindade. Também está presente a obra “Cinco poemas geométricos”, do poeta e diplomata Luiz Carlos Lessa Vinholes, em diálogo com os princípios geométricos associados à produção de Torres García.
O percurso expositivo inclui ainda obras de Rubem Valentim, Djanira e Arthur Bispo do Rosário, ampliando a discussão sobre identidade, memória e construção simbólica na arte latino-americana. A seleção mostra como temas trabalhados por Torres García seguem presentes em debates contemporâneos sobre cultura, território e pertencimento.
Nascido em Montevidéu, em 1874, Joaquín Torres García desenvolveu parte importante de sua carreira fora do Uruguai, com passagens por cidades como Barcelona, Nova York e Paris. Após retornar ao país natal, formulou o conceito de Universalismo Construtivo, teoria artística que buscava unir geometria, símbolos ancestrais e uma leitura própria da identidade latino-americana.
Serviço
A exposição “Joaquín Torres García – 150 anos” está em cartaz no CCBB Brasília, localizado no SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves, Setor de Clubes Sul, Galeria 5 e Pavilhão de Vidro. A visitação segue até 21 de junho, das 9h às 21h, com entrada gratuita mediante retirada de ingressos no site oficial.
O CCBB Brasília também oferece transporte gratuito em van entre a Biblioteca Nacional e o centro cultural, de quinta-feira a domingo. O serviço funciona das 13h às 20h, com retornos até 21h30, mediante retirada de ingresso pelo site ou na bilheteria do CCBB.


