Cidades brasileiras com mais carros elétricos avançam e ampliam uso de transporte público movido a energia limpa

A presença de carros elétricos nas ruas brasileiras deixou de ser exceção e passou a integrar, de forma crescente, o cotidiano de grandes centros urbanos. Impulsionada por incentivos fiscais, expansão da infraestrutura de recarga e maior conscientização ambiental, a frota de veículos elétricos e híbridos plug-in tem se concentrado principalmente em capitais e regiões metropolitanas com maior renda média e políticas públicas voltadas à mobilidade sustentável.

Paralelamente, algumas cidades também avançam na eletrificação do transporte coletivo, adotando ônibus elétricos e sistemas de mobilidade de baixa emissão.

São Paulo lidera o ranking nacional de carros elétricos em circulação. A capital paulista reúne a maior frota do país, beneficiada por ampla rede de recarga, maior oferta de modelos e políticas municipais que estimulam a redução de emissões.

Além do crescimento dos veículos particulares, São Paulo também se destaca no transporte público, com a maior frota de ônibus elétricos em operação no Brasil, concentrada principalmente no sistema municipal, como parte das metas ambientais previstas no Plano de Mudança do Clima da cidade.

Na sequência aparece Brasília, que se consolidou como um dos principais polos de carros elétricos do país. O perfil urbano, aliado à renda média mais elevada e à presença de órgãos públicos, favoreceu a adoção dessa tecnologia. O Distrito Federal também vem incorporando ônibus elétricos em projetos-piloto e na renovação gradual da frota do transporte coletivo, com foco na redução de ruído e emissões nas áreas centrais.

Curitiba figura entre as cidades com maior número de veículos elétricos proporcionalmente à população. Reconhecida historicamente pelo planejamento urbano e pelo transporte coletivo estruturado, a capital paranaense avança na eletrificação tanto da frota particular quanto dos ônibus. A cidade já opera linhas com ônibus elétricos e híbridos e utiliza o tema como laboratório para novos modelos de mobilidade urbana sustentável.

Rio de Janeiro aparece entre os principais mercados de carros elétricos do país, impulsionado pela concentração de renda em determinadas regiões e pela ampliação dos pontos de recarga. No transporte público, a cidade iniciou a incorporação de ônibus elétricos em corredores estratégicos, além de projetos voltados à eletrificação de modais complementares, como veículos de serviço e transporte turístico.

Belo Horizonte também integra o grupo das cidades com maior número de carros elétricos em circulação. A capital mineira vem ampliando a infraestrutura de recarga e participa de programas de testes com ônibus elétricos no transporte coletivo. A estratégia busca avaliar desempenho em terrenos com aclives acentuados, característicos da cidade, antes de uma expansão mais ampla da frota.

Florianópolis se destaca no cenário nacional por combinar frota crescente de veículos elétricos com políticas ambientais mais restritivas. A cidade possui projetos de eletrificação do transporte público e incentiva o uso de veículos de baixa emissão em áreas sensíveis do ponto de vista ambiental, reforçando o apelo turístico aliado à sustentabilidade.

Outras capitais, como Porto Alegre, Recife, Salvador e Campinas, também aparecem com crescimento consistente no número de carros elétricos, embora em patamares inferiores aos líderes do ranking. Nessas cidades, a presença de ônibus elétricos ainda ocorre de forma pontual, geralmente em projetos-piloto ou linhas específicas, mas indica uma tendência de expansão nos próximos anos.

Especialistas apontam que a adoção simultânea de carros elétricos e transporte público elétrico tende a se concentrar em cidades com maior capacidade de investimento e planejamento de longo prazo. A eletrificação do transporte coletivo é considerada estratégica por seu impacto direto na redução de emissões, já que um único ônibus elétrico substitui dezenas de veículos movidos a combustíveis fósseis ao longo do dia.

O avanço observado nas principais cidades brasileiras indica que a mobilidade elétrica deixou de ser apenas uma tendência e passou a integrar políticas públicas e decisões de consumo. Embora ainda enfrente desafios relacionados a custo, infraestrutura e escala, o crescimento da frota elétrica e a ampliação do transporte público movido a energia limpa reforçam uma mudança gradual no modelo de deslocamento urbano no país.

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