O Aeroporto Amerigo Vespucci, localizado em Florença, na região italiana da Toscana, deverá passar por uma ampla modernização que inclui a construção de um novo terminal internacional e a readequação da pista de pousos e decolagens. Um dos elementos centrais do projeto será a cobertura do edifício, planejada para receber 7,7 hectares de vinhedos.
A proposta utiliza a tradição vinícola da Toscana como referência arquitetônica e cultural. Além de modificar a aparência do aeroporto, a implantação dos vinhedos deverá contribuir para o isolamento térmico do terminal e para a redução do consumo de energia.
O projeto será desenvolvido pelo escritório Rafael Viñoly Architects. O novo terminal terá aproximadamente 50 mil metros quadrados e capacidade estimada para atender mais de 5,9 milhões de passageiros por ano.
A modernização também prevê a implantação de um sistema de veículo leve sobre trilhos, conhecido como VLT, que estabelecerá uma ligação direta entre o aeroporto e a cidade de Florença.
As intervenções são motivadas por limitações históricas da infraestrutura aeroportuária. Inaugurada em 1931, a pista atual é considerada curta e tem sua operação condicionada pela presença de colinas nas proximidades.
Essa configuração dificulta a movimentação de aeronaves de maior porte e impõe restrições às operações. Para enfrentar o problema, o projeto prevê a rotação da pista em 90 graus, afastando seu alinhamento das montanhas e ampliando sua extensão.
A mudança deverá oferecer melhores condições para pousos e decolagens, além de corrigir limitações da estrutura original. A reorganização também permitirá que o aeroporto aumente sua capacidade de atendimento e receba voos compatíveis com a demanda turística da região.
O aspecto mais incomum do novo terminal será o telhado coberto por vinhedos. As plantações serão instaladas sobre estruturas de concreto pré-moldado, preparadas para suportar o peso do solo e do sistema de irrigação.
Embora a cobertura verde ocupe 7,7 hectares, somente 2,4 hectares serão utilizados efetivamente para o cultivo de uvas. A área produtiva ficará concentrada na extremidade leste do terminal, em uma posição afastada das pistas para evitar interferências nas operações aéreas.
A disposição dos vinhedos deverá reproduzir visualmente parte da paisagem característica das colinas da Toscana. O espaço também permitirá a apresentação de etapas relacionadas à produção do vinho.
Adegas instaladas sob a cobertura serão utilizadas para atividades ligadas à vinificação e ao envelhecimento da bebida. A proposta é incorporar um elemento cultural e turístico ao funcionamento do aeroporto sem abandonar as exigências técnicas da infraestrutura.
Para permitir a entrada de luz natural no interior do terminal, o projeto prevê claraboias com 1,2 metro de largura entre as fileiras de vinhedos. A solução busca reduzir a necessidade de iluminação artificial durante o dia e melhorar o aproveitamento energético do edifício.
A vegetação sobre o telhado também funcionará como uma camada de proteção térmica. Esse tipo de cobertura pode contribuir para diminuir as variações de temperatura no interior da construção, reduzindo a demanda por sistemas de climatização.
O projeto reúne, portanto, intervenções de infraestrutura, mobilidade, arquitetura e sustentabilidade. A nova pista deverá ampliar a capacidade operacional, enquanto o terminal será estruturado para receber mais passageiros e oferecer conexão direta com Florença por transporte sobre trilhos.
A primeira fase das obras estava inicialmente prevista para ser concluída em 2026. O cronograma, no entanto, deverá ser adiado para o final da década.
A conclusão integral da modernização está projetada para 2035. Até lá, o aeroporto deverá passar por diferentes etapas de adequação, incluindo a nova orientação da pista, a construção do terminal e a implantação das áreas de cultivo.


