A Cripta Hohenzollern, instalada na Catedral de Berlim, voltou a receber visitantes após permanecer seis anos em processo de restauração. O espaço reúne os túmulos de integrantes da dinastia que exerceu influência decisiva na história da Prússia, da Alemanha e de outros períodos da política europeia.
Considerada o principal cemitério dinástico da Alemanha e um dos mais importantes da Europa, a cripta abriga 91 sarcófagos produzidos em diferentes épocas. O exemplar mais antigo preservado no local remonta ao século XVI.
Os túmulos foram confeccionados em materiais como madeira, pedra e metal. As diferenças entre as peças permitem observar mudanças nos estilos artísticos, nas técnicas de construção e nos costumes funerários adotados ao longo dos séculos.
Entre as personalidades sepultadas no local estão Frederico Guilherme, conhecido como o “Grande Eleitor”, e Guilherme I, primeiro imperador alemão. A cripta também está diretamente ligada à trajetória da família Hohenzollern, que governou a Prússia e teve papel central na formação do Império Alemão.
Reforma ampliou conservação e acesso às informações
A intervenção iniciada em 2020 buscou melhorar as condições de preservação dos sarcófagos e reorganizar a experiência oferecida aos visitantes. O espaço passou a funcionar com características mais próximas às de um museu histórico.
Um novo sistema de ventilação e climatização foi instalado para controlar as condições ambientais. A medida pretende reduzir os efeitos da umidade e das variações de temperatura sobre os túmulos, documentos e demais objetos mantidos no interior da cripta.
Durante as obras, os sarcófagos foram reposicionados de acordo com a disposição existente na época da inauguração da atual catedral. A reorganização procurou recuperar a configuração histórica do mausoléu e facilitar a compreensão da relação entre os integrantes da dinastia.
A renovação também incluiu a criação de uma sala educativa equipada com telas sensíveis ao toque. Os dispositivos apresentam informações sobre as pessoas enterradas no local, a cultura funerária e aspectos sociais das épocas representadas.
Entre os conteúdos disponíveis estão dados sobre a mortalidade infantil no período em que os túmulos foram construídos. O material permite compreender como doenças, condições sanitárias e expectativas de vida influenciavam as famílias e os rituais funerários.
Acervo reúne objetos pessoais e documentos históricos
Além dos sarcófagos, a cripta mantém peças relacionadas à vida dos membros da família Hohenzollern. O conjunto inclui vestimentas, joias, objetos pessoais e materiais bibliográficos sobre as pessoas sepultadas no espaço.
A presença desses itens amplia o caráter histórico da visita. Os objetos ajudam a contextualizar os túmulos e apresentam informações sobre o cotidiano, a posição política e os hábitos da dinastia.
A família Hohenzollern esteve ligada à história prussiana e alemã durante vários séculos. Um de seus integrantes mais conhecidos foi Guilherme II, último imperador da Alemanha, sob cujo reinado foi construída a atual Catedral de Berlim.
O edifício substituiu uma igreja anterior que era considerada modesta pela família real. A nova construção deveria representar a importância política e religiosa da monarquia alemã no início do século XX.
Catedral sofreu graves danos durante a guerra
A Catedral de Berlim foi severamente atingida durante os bombardeios aliados na Segunda Guerra Mundial. Os ataques provocaram danos estruturais significativos e destruíram quase completamente alguns dos túmulos mantidos na cripta.
Depois do conflito, o processo de recuperação avançou de forma lenta. Algumas características originais do edifício foram modificadas durante as intervenções realizadas no período posterior à guerra.
A restauração concluída agora representa a principal renovação do mausoléu desde aquela fase. O trabalho procurou conciliar a preservação das peças históricas com novas condições de visitação e recursos voltados à educação patrimonial.
Visita inclui acesso à cúpula da catedral
O acesso à cripta ocorre por meio de visita guiada. O ingresso também permite subir até a cúpula da Catedral de Berlim, de onde os visitantes podem observar uma vista panorâmica da capital alemã.
O valor informado para a experiência é de 15 euros. O percurso reúne conteúdos sobre a família Hohenzollern, a arquitetura do templo e as transformações enfrentadas pelo edifício ao longo do século XX.
Conhecida em alemão como Berliner Dom, a catedral está entre os principais pontos turísticos de Berlim. Seu projeto foi desenvolvido pelo arquiteto Julius Raschdorff e combina características barrocas com influências renascentistas.
As grandes cúpulas fazem do edifício uma das construções mais reconhecidas na paisagem urbana da capital. O interior também abriga um órgão criado por Wilhelm Sauer, composto por mais de 7.200 tubos.
O instrumento é utilizado em apresentações realizadas ao longo do ano e constitui uma das principais atrações da catedral. Os concertos complementam a programação religiosa e cultural oferecida pelo local.
A reabertura da Cripta Hohenzollern amplia o acesso a uma parte importante da história alemã. A restauração permite preservar os túmulos da dinastia e apresentar ao público informações sobre poder, religião, costumes funerários e transformações sociais ocorridas ao longo de vários séculos.


