Pão com linguiça de Gramado pode se tornar patrimônio cultural imaterial

O tradicional pão com linguiça, uma das comidas de rua mais conhecidas de Gramado, na Serra Gaúcha, poderá ser reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do município. A proposta busca valorizar a receita, associada há décadas às feiras, aos fornos coloniais e à identidade gastronômica da cidade.

A iniciativa começou a ser discutida em maio, durante uma reunião com representantes das secretarias municipais de Turismo, Cultura e Agricultura, além de produtores ligados aos fornos coloniais da região. O objetivo é reunir informações capazes de comprovar a relevância histórica, social e cultural do alimento para Gramado.

Nos próximos meses, os envolvidos na proposta devem elaborar um dossiê com registros históricos, documentos e depoimentos de produtores locais. Esse material servirá como base para o processo de reconhecimento do pão com linguiça como patrimônio cultural imaterial.

A receita tem forte relação com a formação colonial da Serra Gaúcha. O preparo remete às tradições de famílias descendentes de imigrantes, especialmente alemães e italianos, que se estabeleceram na região no fim do século 19 e ajudaram a moldar hábitos alimentares ainda presentes no cotidiano local.

Segundo nota divulgada pela prefeitura, “presente no cotidiano, nas ruas e nas feiras de Gramado há décadas, o pão com linguiça representa o saber-fazer das famílias coloniais e a hospitalidade característica da cidade, consolidando-se como um patrimônio que atravessa gerações”.

O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial não se limita ao prato em si. Esse tipo de registro valoriza práticas, conhecimentos, modos de preparo e tradições transmitidas entre gerações. No caso de Gramado, a proposta procura destacar o papel dos produtores locais e dos fornos coloniais na preservação da cultura gastronômica do município.

Embora Gramado seja amplamente conhecida pelo turismo, pela arquitetura inspirada em referências europeias e pelos eventos de grande circulação, a iniciativa chama atenção para elementos mais cotidianos da cultura local. O pão com linguiça, vendido em feiras e espaços públicos, tornou-se parte da experiência de moradores e visitantes.

Ainda não há prazo definido para a conclusão do processo. A etapa atual envolve a coleta de informações e a organização do material que sustentará o pedido de reconhecimento. Com isso, o município busca documentar a trajetória de uma receita simples, mas fortemente ligada à memória afetiva e à identidade cultural gramadense.

Com informações de Viagem e Turismo.

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