Mosaico do touro na Galleria Vittorio Emanuele II, em Milão, passa por restauração

A Galleria Vittorio Emanuele II, um dos pontos turísticos mais conhecidos de Milão, voltou a chamar atenção por causa de uma tradição popular mantida há décadas por visitantes. Localizada no centro da cidade, próxima ao Duomo, a galeria construída no século XIX é reconhecida pela arquitetura monumental, pelas lojas de luxo e pelo valor histórico para a capital da Lombardia.

Entre os elementos mais observados do local está um mosaico no piso da área central da galeria. A obra retrata um touro rampante, símbolo associado à cidade de Turim. Sobre essa imagem, turistas costumam apoiar o calcanhar e girar o corpo, em um ritual que, segundo a crença popular, traria sorte, prosperidade ou garantiria uma futura volta a Milão.

A prática se tornou uma das curiosidades mais conhecidas da galeria, embora também seja responsável por danos frequentes ao piso. O movimento repetido dos visitantes provocou desgaste na região do mosaico onde fica a representação anatômica do touro, o que levou à necessidade de restaurações periódicas.

A intervenção mais recente foi concluída em maio de 2026. O trabalho ocorreu após a formação de uma cavidade de aproximadamente 2,5 centímetros de profundidade, causada pelo pisoteio constante e pelo giro dos calcanhares no mesmo ponto. A restauração foi supervisionada pelo especialista Gianluca Galli e levou cerca de quatro dias para ser concluída.

Durante o processo, novas peças foram cortadas manualmente para manter o padrão original da obra, feita com ladrilhos de mármore rosa e técnicas características do século XIX. Para ampliar a resistência do mosaico, a argamassa tradicional foi substituída por resinas epóxi. O custo estimado da restauração foi de cinco mil euros.

Após a conclusão do serviço, alguns observadores apontaram que a área restaurada parece menor em comparação à versão anterior, o que poderia dificultar a repetição do gesto pelos visitantes. Apesar disso, a tradição segue associada à experiência turística na Galleria Vittorio Emanuele II.

O ritual possui interpretações diferentes. Para alguns turistas, o ato representa um pedido de sorte. Para outros, funciona como promessa simbólica de retorno à cidade, em comparação com o costume de lançar moedas na Fontana di Trevi, em Roma. Há ainda quem interprete a prática como uma antiga provocação entre Milão e Turim, já que o touro é símbolo da cidade piemontesa.

A construção da galeria começou na década de 1860, período em que Turim era capital do Reino da Itália. Desde então, o espaço se consolidou como um dos principais marcos culturais e arquitetônicos de Milão. A combinação entre patrimônio histórico, comércio e tradições populares mantém a galeria entre os locais mais visitados da cidade.

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